TEXTOS DE JOSÉ MACIEL LOPIS Ouça uma música minha abaixo: A Jovem caprichosa!

Qual o papel das tecnologias na ordem do discurso?




No início do século XX o mundo conheceu, a partir do Objetivismo Abstrato, a teoria do suíço Ferdinand de Saussure. O pai da Linguística, ao fundar a ciência da Linguagem, propôs-se a fundar uma ciência baseada num sistema de equivalências em que a língua é tomada em sua estrutura e função como sistema abstrato de equivalências. Esse conjunto de teorias, que viria a ser chamado de Estruturalismo, é matéria de estudo pelo Círculo Linguístico de Praga (Escola de Praga ou Formalistas Russos) e recebeu fortes críticas pelos ditos pós-estruturalistas. Desde Bakhtin, que derruba o mito de que exista uma linguagem individual (pois toda forma de linguagem é fruto do social) ou que a língua seja regida por um sistema de regras da Gramática normativa, até os trabalhos de Foucault. Este, sendo um dos nomes mais importantes da Escola Pós-estruturalista, é motivo da exposição feita neste trabalho.


Com o francês Michel Foucault, as teorias do Materialismo Histórico ganham outra dimensão dentro dos estudos da linguagem e da importância da análise desta como demonstração do real Se a linguagem não representa o real, mas o demonstra, portanto ela não é fiel ao mesmo. Aí nascem os estudos da Ideologia por teóricos como Louis Althuser e do discurso de poder e do conceito de verdade por Michel Foucault.

Ao perceber as tecnologias emergentes da Sociedade Global pode-se aludir às teorias foucaultianas, no que condiz ao conceito de verdade. A verdade é um construto, algo construído e selecionado pela sociedade-alvo. O que é verdade? E em que medida esta existe sem o poder? Qual são as bases que constituem o poder? Foucault analisa que as instituições determinam o que devemos dizer, pois não temos o direito de dizer tudo, ou dizer tudo em qualquer lugar. Nesse sentido, qual o papel do homem pós-moderno diante das tecnologias? O hipertexto, emergente da nova classificação textual dada ao texto cibernético, dá mesmo total liberdade ao internauta, como propõe Pierre Lévy? Ao se pronunciar como professor do Collége de France, discurso que viria a ser publicado em forma de livro intitulado A ordem do discurso, Foucault diz ser determinante a instituição para o que vai dizer. O ideal autor/autoridade, propriedade da cultura grega então é avistada no mundo ocidental com veemência nessa fala foucaultiana. Se não se pode falar o que se quer em qualquer lugar, como a internet pode ser um espaço de livre-arbítrio ilimitado?

Ao olhar criticamente para as tecnologias, e principalmente as que se propõem de massa, o homem pode ser analisado como ambivalente e de uma identidade híbrida. Isto porque no meio virtual pode-se observar o homem através do viés daquele que pode falar tudo, e fazer tudo. Até que ponto? A rede mundial de computadores viria então destruir a concepção clássica de autor/autoridade. O cânone literário sempre foi composto de autores que eram ao mesmo tempo autoridades: Carlos Drummond foi funcionário público, Machado de Assis foi funcionáiro público, Vinícius de Moraes e Guimarães Rosa foram diplomatas, etc. Os blogs, que podem ser publicados por qualquer pessoa , com mínimos conhecimentos técnicos. Até que ponto segundo a análise da Microfísica do poder foucaultiana, essa pode ser uma polifonia de verdades ditas na rede, sem o olhar das instituições? Ao olhar para qualquer um desses blogs, enquadrado dentro da tecnociência, percebe-se que eles partem de um alguém, que repete o discurso de uma instituição. Logo, ele não fala o que quer e na hora que quer. Ele repete discursos de uma instituição, seja científica, política, religiosa, escolar, etc.

Dentro da tecnociência, pode-se perceber no avanço dessas tecnologias a apresentação de suportes ou estações de repetições ideológicas. Aí está o valor da linguagem impresso acima, que parte dos estudos da Escola Russa e da Análise do Discurso, seja a de viés foucaultiano, althusseriano ou de Pechêux. As tecnologias nascem ora para ajudar o homem nos modos de produção capitalista, ora para fazer dele consumidor e fadado a isso, ora como suporte em que o homem, inconscientemente pensa estar falando de “verdades” que vêm de si, quando está repetindo discursos das instituições que pertence.

As “verdades”, dentro da Microfísica do poder, são decididas pelas Instituições ou Sociedades do discurso. A indústria da verdade a distribui na infraestrutura (aquela mesma da metáfora marxista) e nesta a verdade é repetida, defendida, e por ela lutam, matam, discriminam e morrem. Os meios tecnológicos surgem como suporte para esse contexto da infraestrutura.

O meio virtual é contexto de repetição do discurso ideológico das instituições, que se materializa em forma de “verdade”. As práticas de saber são então movimentos pedagógicos tanto para discplinar o indivíduo para repetir a “verdade”, quanto para assujeitá-lo à posição de repetidor. Saber significa repetir tal “discurso”, e saber repeti-lo aos modos do consumo ideológico, significa repetir o discurso do poder. A moda, a beleza, a religião, as práticas “rituais” em sua totalidade são práticas do saber.

Assim, os meios tecnocientíficos dão suportabilidade para a distribuição das “verdades” institucionais dentro do âmbito da microfísica do poder, e da “ritualização” saber, como uma prática constante e quase ininterrupta de poder.

BANCA DE POESIA- CES

Olá, meninos. Sentirei saudades de vocês. Sentirei saudades as poesias que trabalhamos e a interpretação que vocês faziam.
   
   
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ANÁLISE SEMÂNTICA E PRAGMÁTICA DOS SIGNIFICANTES “NEGUINHO (A)”, E “NEGO (A)" NO SÉCULO XIX E NO MUNDO CONTEMPORÂNEOapresentado por mim no XIV CONGRESSO DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA NA UERJ- RIO DE JANEIRO

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O ELOGIO AO ELOGIO DA LOUCURA: Rotterdam e a utilização da loucura como personagem principal na crítica veemente ao modelo vigente

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Gabriel Nascimento dos Santos


ROTTERDAM, Erasmo. Elogio da Loucura. L&PM EDITORES, 2003


Em uma carta ao amigo Thomas Morus o renascentista Erasmo de Rotterdam teria revelado a intenção ao escrever aquele que seria um elogio raro na história da humanidade: O elogio da Loucura.
Participando de uma escola de pensamento de revivência dos estudos latinos, da superioridade da razão e antes de tudo da crítica aguçada ao padrão da Igreja Erasmo de Rotterdam passa a fala de narrador à loucura, quem narra o elogio. A loucura é quem se autoelogia. E começa relatando a ingratidão humana diante de sua importância. E o que é a loucura? A loucura, para a obra do teólogo, é antes de qualquer coisa o elemento formador, e condutor da sociedade. Sem loucura a sociedade não sobrevive.
Partindo dessa ótica, o texto, (narrado pela própria e nada modesta loucura) vai mostrar o quanto há de louco em diversas classes sociais. A loucura é a formadora da amizade, a loucura proporciona alegria aos homens, a loucura está na natureza em sua naturalidade encantadora, a loucura está nos poetas, nos seguidores de Baco e no amor. Essas são apenas algumas das abordagens do texto.
Mas como conceber a importância da loucura em uma época em que a razão humana era dispensável, somente sobrando lugar para a concepção divina? Nisso a obra enquadra-se perfeitamente nos postulados do Renascimento quando realiza uma crítica ao Clero e todos os responsáveis pela ideologia vigente na igreja. Em sua estrutura é claramente observável que o elogio traz grandes alusões e citações de obras gregas e latinas, revelando o forte de estudo da época acerca da memória.
O livro “Elogio da Loucura” parte do pressuposto que as bases da Sociedade Ocidental não sobreviveriam sem a loucura, substancializando a loucura como parte integrante da razão humana (uma vez que o pensamento Erasmiano não é monológico, não vê apenas um tipo de loucura) em dicotomia presente com a concepção divina que a loucura humana é um mau e deve ser combatida. O ideário da igreja era contra a loucura por julgar dentro desse contexto ações humanas consideradas pecado como o sexo, o ócio, entre outros. O discurso Erasmiano é corroborado por Foucault no referente à falta de credibilidade quando este, no discurso proferido no Collége de France analisou o descrédito sempre presente no mundo ocidental ao discurso dos loucos. Erasmo se valeu das revoluções intelectuais da época essa crítica ao modelo vigente do Antigo Regime colocando como narradora a maior inimiga do mesmo: A loucura.
Esse livro deve ser lido por todos aqueles que se dedicam a estudar as diversas concepções filosóficas concernentes à loucura humana, assim como o sistema canônico de razão da sociedade.
BAKHTIN E A FUNDAÇÃO DA SOCIOLINGUÍSTICA TEÓRICA: qual será a lógica da norma linguística?

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Gabriel Nascimento dos Santos


BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997.


Se Bakhtin tivesse nascido na década de 60 teria encontrado a ciência linguística realmente desenvolvida, como muitos dos teóricos dessa época encontraram. Mas teria, sobretudo, liberdade para poder assinar sua obra prima, o que não teve em sua época, em plena década de 20. O russo autor de Marxismo e Filosofia da Linguagem escrevia em uma época onde a repercussão de seu arcabouço teórico poderia gerar perseguição política demasiadamente forte em sua carreira. E foi em nome de Volochínov, para evitar interpelações políticas, que seria publicado o livro fundador da Sociolinguística Teórica.

Em Marxismo e Filosofia da Linguagem o teórico pós-estruturalista aplica conceitos anteriormente abordados por Marx, Freud, entre outros à concepção de língua. De início, o conceito estruturalista saussuriano de que a linguagem é individual é colocado em xeque. Como a linguagem pode ser individual se, a partir de Freud, o ego do ser é formado a partir das convenções sociais? O ser humano construiria a linguagem fenomenologicamente sem o envolvimento com o contexto social? A partir desse ponto de vista Bakhtin expõe a conceituação da suprema importância do social na formação da linguagem. As relações psicossociais são formadoras do comportamento linguístico do ser humano.

Então, como definir norma em Bakhtin? Bakhtin separa a concepção normativista num grupo de análise que ele julga ser avaliador artístico da língua. Sim, para Bakhtin a Gramática Normativa avalia a língua por apreciação artística, ignorando a norma vigente nas comunidades, nos diversos estilos de linguagem. A respeito dessa tendência o teórico situa a Gramática Normativa no grupo de estudos que tentam ressuscitar as línguas mortas. A palavra, para o que é analisado teoricamente na obra, é um signo ideológico por excelência. Tudo que é falado, para tanto, é ideológico e está intrinsecamente ligado a uma função ideológica definida, a partir da visão Bakhtiniana. Entretanto, na mesma análise ele avalia que a palavra é ainda um signo neutro. Isso porque, a partir da análise feita, a palavra está ligada por uma função ideológica que pode ser aplicada a determinados contextos ideológicos.

Nessa visão nasce a completude concernente à norma linguística. A lógica da história da língua (diacronia) é a lógica dos “erros” individuais. Ele se apodera de uma estrutura normativista (“erros”) para demonstrar a importância dos “erros” na história linguística. Essa seria a lógica diacrônica precisa. No entanto, como definir uma lógica para língua. A respeito disso é dito pelo teórico sobre o perigo da confusão entre a lógica diacrônica e sincrônica. Não importa como uma palavra tenha sido escrita, entendida (enfim, praticada) em determinado momento histórico (numa determinada sincronia no tempo), a história da grafia dessa palavra não deve ser confundida, nem ditar o uso atual da palavra. Sincronia é sincronia, e diacronia é diacronia! Usar a história de uma palavra para impedir que ela seja usada desta ou daquela forma na época atual (na sincronia atual) é confundir a lógica sincrônica com a diacrônica, um atributo forte à obra dos gramáticos normativistas.

O livro Marxismo e Filosofia da Linguagem é um arcabouço teórico importante para todo pesquisador da Área de Linguística, Letras e Artes, assim como demais áreas de conhecimento das Ciências Humanas que deseja realizar um trabalho se utilizando da linguagem como matéria de pesquisa.

Palestra com o Dr. Eduardo Guimarães (UNICAMP)

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Veja no vídeo uma palestra com o professor Dr. Eduardo Guimarães (UNICAMP) no Seminário do D.A. de Letras de Eunápolis. O professor fez uma longa exposição sobre a pólítica de Línguas no Brasil, assim como as posições descritivistas e normativistas da época.
 
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